segunda-feira, 31 de dezembro de 2018


Espelho

Na escuridão da noite,
Ouço atentamente o silencio que no meu quarto se alastra,
Sinto uma brisa gelada passar pela janela fechada,
Sinto-me estremecer sem razão nenhuma… mas com todas as razoes do mundo.
 
Deitado na cama penso em ti, 
Na doçura do teu profundo olhar,
na alegria do teu fechado sorriso,
na lucidez da tua desconfiada confiança em mim,
nos teus sentimentos escondidos que tão timidamente me ias mostrando,
penso naquele  doce abraço que um dia demos,
aquele abraço que contigo em silencio gritva "protege-me para sempre",
que gritva "toma conta de mim",
Aquele abraço que nos deixava envolver no momento,
que embalava o nosso inquieto  pensamento,
que fazia parar o tempo,
que iluminava a mais negra escuridão,
aquele abraço…
…que um dia nós demos…

Na escuridão da noite imagino o teu beijo,
No toque dos teus lábios nos meus,
Sinto tua boca encostada a minha,
A pedir por mais,
A dizer não pares…

...mas
...de repente,
sinto um novo estremecer,
acordo,
olho para o lado e ali tu não estas,
estou só na escuridão do meu quarto,
No meu pensamento estava tu…
…No meu coração apenas um gelada brisa,
apenas escuridão, refletida do meu frio e escuro quarto...

De um passado fazemos as memórias do nosso presente, são as histórias, sejam elas tristes ou felizes que nos moldam e nos transformam, são essas histórias que fazem de nós aquilo que hoje somos...
Mas há histórias e histórias, há aquelas que apenas ao passado pertencem e de lá nunca vão sair, e depois há aquelas cujo espectro sai do passado onde pertencem para um presente onde agora estamos. É destas últimas que para mim falo muitas noites, são essas histórias que muitas noites e muitos dias me vêm a memória, a história de algo ou de alguém que me tocou bem lá no fundo, lá onde uns dizem estar a nossa alma e já outros afirmam que é onde está o nosso verdadeiro eu, enfim, nao sei, apenas sei que tocou naquele sítio que nós mortais não conhecemos o nome, que só sabemos que existe quando alguém nesse ponto toca... E é tão bom... Uma doce mistura de uma louca saudade com uma triste melancolia, um sentimento que mascara inúmeros outros... Mas é tão bom...estas são aquelas histórias do passado, mas que foram tão boas que as trazemos sempre na memória do presente, sempre com a esperança que daí se faça um futuro...

Mas para já... São apenas histórias, belas e longas histórias... Que fazem de mim aquilo que sou...